Baratas
Habitat das Baratas
Reprodução das Baratas
Espécies Mais Comuns no Brasil
Diversidade de Espécies
Barata Doméstica ou Barata Alemã
Barata Vermelha (Barata de Esgoto)
Barata Australiana
Barata Cascuda ou Barata Grande dos Armazéns
Comportamento Social
Infestação por Baratas
Controle e Prevenção Domiciliar
Principais Danos Causados
Inseticidas para Baratas
Métodos de Controle para Baratas
Combate às baratas sem o uso de Inseticidas
O impacto do uso dos inseticidas no meio ambiente
Riscos da Desinsetização ao Homem
Controle Biológico
Curiosidades sobre as Baratas


 
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Diversidade de Espécies

As baratas são encontradas em quase todos os habitats: florestas tropicais e temperadas, pradarias, estepe, comunidades costeiras e desertos. Elas se encontram em todas as dimensões verticais do ambiente terrestre, a partir da cobertura florestal superior a profundidade no solo, habitam cavernas, minas, tocos de árvores, tocas e os espaços sub-casca. Elas também são encontrados em folhas mortas, troncos apodrecidos, córregos e beiras de córrego, epífitas, arbóreas, piscinas de água, em ninhos de insetos sociais, roedores, répteis e aves, e estruturas criadas pelo homem como habitações, navios e aeronaves (Sinantropia). Devido a este alto valor adaptativo, o numero e a diversidade de espécies da Ordem Blattariae é enorme.

 
Baratas
(fonte: www.emlab.com)
 
Mesmo com tantas variações morfológicas (tamanho, cor), de habitats e de formação ou não de colônias, por que podemos afirmar que todos esses insetos (baratas) pertencem a mesma Ordem Blattariae?

As características utilizadas para o reconhecimento são: formato do corpo, que é oval e achatado dorso-ventralmente; cabeça curta, subtriangular, do tipo opistognata; peças bucais mastigadoras; antenas longas e filiformes; geralmente a presença de dois ocelos (estrutura destinada a visão dos insetos); olhos compostos presentes na maioria das espécies, com exceção das espécies cavernícolas; tórax com três pares de pernas do tipo cursoriais e, quando presentes, dois pares de asas.

O abdome geralmente apresenta 10 segmentos, contendo os principais órgãos vitais, sendo que há um par de cercos para ambos os sexos, com a função sensorial e táctil. Em muitas espécies, as fêmeas são ápteras e maiores que os machos. Os estudos moleculares, que determinam a semelhança genética entre as espécies, também auxiliam muito na taxonomia dos seres vivos.


Exemplos da variedade morfológica entre as Baratas:

 
Microdina forceps (Panesthiinae)
Barata - Microdina Forceps
Macho - Origem: Índia
Imagem de L.M. Roth
Prosoplecta
Baratas - Prosoplecta
Espécies de Prosoplecta que mimetisam besouros.
(A) Pr. bipunctata - (B) Femea Pr. trifaria - (C) Pr. nigra
(D) Pr. gutticolis- (E) Pr. nigroplagiata - (F) Pr. semperi
(G) Pr. quadriplagiata - (H) Pr. mimas - (I) Pr. coelophoroides
 
Blaberus sp.
Barata - Blaberus sp.
Ecdise* - Origem: Equador
Imagem de Edward S. Ross
* Exoesqueleto (tecido de sustentação dos insetos) após a troca da muda, ou seja, não é o inseto,
mas sim seu antigo exoesqueleto.
 
Capucina patula ou Phortioeca phoraspoides
Barata - Capucina patula
Foto de David Rentz
   
Perisphaerus semilunatus
Barata - Blaberus sp.
Fêmea
Foto de L.M. Roth
   
Espécies Sinantrópicas

A espécie Periplaneta americana é conhecida popularmente como “barata de esgoto”, “barata vermelha”, “barata americana” ou “barata voadora”. É muito comum no Brasil, nos estados do sul dos Estados Unidos e em regiões com climas tropicais. Por conta disso é considerada uma espécie cosmopolita, isto é, pode ser encontrada em qualquer tipo de habitat. Esses insetos foram também observados no nordeste dos Estados Unidos (Nova York) e no sul do Canadá, em Montreal, onde são encontrados mais próximos de habitações humanas por não tolerarem temperaturas baixas. São consideradas pragas urbanas. Por conta desta classificação, quando não existe nenhum combate efetivo sobre a causa primária da infestação de uma praga, com o passar do tempo nota-se uma perpetuação e o agravamento do problema para sociedade e para o meio ambiente.

Em relação à alimentação, é classificada como animal onívoro, ou seja, obtêm seu alimento das fontes animal e vegetal. São consideradas espécies sinantrópicas, por viverem perto de habitações humanas, utilizando-se dos restos de alimentos do homem para sua própria alimentação.

Quarenta espécies de todas as existentes (cerca de quatro mil espécies de baratas viventes) são consideradas sinantrópicas e cinco dessas (Blatella germanica - barata alemã, Supella longipalpa - Barata de faixa marrom, Periplaneta americana - barata americana, Periplaneta australasiae - barata australiana, e Blatta orientalis - barata oriental) são praticamente onipresentes nas habitações humanas em diversas regiões do mundo.

Essa presença constante é preocupante, tendo em vista a grande capacidade de proliferação devido ao alto potencial reprodutivo, e a veiculação de microrganismos patogênicos (organismos causadores de doenças), que determina sua importância na saúde pública. Esses agentes ficam aderidos ao corpo do inseto, principalmente nas cerdas das pernas, sendo mecanicamente transportados de uma área contaminada para uma área sem contaminação (área limpa). Essa função de transporte de agentes patogênicos classifica as baratas como vetores mecânicos.

Muitos são os insetos que podem atuar como vetores de enfermidades parasitárias, dentre eles: baratas, moscas e pernilongos. Esses vetores podem ser classificados como biológicos ou mecânicos. No caso de vetores biológicos, o patógeno se multiplica e/ou se desenvolve no vetor, que também lhe serve de transporte. Já em organismos que são vetores mecânicos, o animal apenas tem a função de transporte, como é o caso das baratas.

Além disso, a barata pode atuar como:

1. Reservatório de patógenos: pode abrigar um hospedeiro definitivo (onde o parasita se desenvolve a maior parte da sua vida);

2. Agente infeccioso.

Na espécie Periplaneta americana, em relação às condições de vetor e/ou reservatório de agentes patogênicos, estudos já identificaram várias espécies de vírus, bactérias, fungos, protozoários e pelo menos 12 espécies de helmintos que são carregados por essa espécie. Os helmintos representam um grupo importante de organismos patogênicos transmitidos pelos blatódeos aos vertebrados, sendo superados apenas pelas bactérias.

Em alguns casos as baratas são também responsáveis pela exacerbação de processos alérgicos e de asma, devido a algumas substâncias provenientes de suas fezes, saliva e exoesqueleto, que ficam suspensos no ar.

A barata de esgoto é muito comum no Brasil. Seu ciclo de vida varia de 180 a 195 dias, sendo que uma fêmea ovipõe, durante sua vida em média 225 ovos, dispostos em várias ootecas (agrupamento de ovos depositados em um invólucro rígido, feito pelo próprio inseto, para proteção da prole). Essas ootecas são depositadas próximas a uma fonte de alimento, em locais protegidos, aumentando a chance de sobrevivência das ninfas. As fêmeas também podem depositar essas ootecas em superfícies, utilizando secreções de sua peça bucal. A eclosão desses ovos ocorre em aproximadamente 55 dias, dependendo de alguns fatores ambientais como: condições de temperatura, umidade, disponibilidade de alimentos, entre outros.

A temperatura é um dos principais fatores ecológicos que interage com esses insetos. Este fator interfere diretamente o desenvolvimento e o comportamento desses animais e indiretamente sua alimentação. A temperatura atua sobre a quantidade de alimento que será consumido, na reprodução, fecundidade, fisiologia, etologia (comportamento animal) e longevidade dos insetos.

As ninfas das baratas que emergem da ooteca podem sofrer até treze ecdises antes de atingirem a maturidade sexual. A ecdise trata-se de um processo, controlado por hormônio, de mudança do exoesqueleto, e depende das condições ambientais, principalmente do teor protéico em sua dieta. As ninfas vivem em grandes grupos e ficam misturadas com os adultos, procuram lugares úmidos e escuros como locais de proteção.

1. Barata Cascuda ou Barata Grande dos Armazéns (Leucophaea maderae ou Rhyparobia maderae)
   
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2. Barata Vermelha (Periplaneta americana)
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3. Barata Australiana (Periplaneta australasiae)
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4. Baratinha, Barata doméstica ou Barata Alemã (Blattella geramanica)
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Espécies Arborícolas

Espera-se das espécies arborícolas que sejam boas voadoras, já que isso facilitaria a locomoção. Das espécies conhecidas da Floresta Tropical da Costa Rica e Panamá, 25 espécies possuem asas. Dessas, 23 espécies realmente podem voar, tanto as fêmeas quanto os machos. A espécie Nesomylacris asteria possui asa é curta, e em Compsodes deliculatu, somente os machos podem voar, pois as fêmeas são ápteras (sem asas). Das 31 espécies brasileiras estudadas 55% são ápteras ou braquípteras (asas curtas).

Exemplos de espécies arborícolas:
- Gyna gloriosa, Uganda
- Aglaopteryx gemma, Austrália
- Miriamrothschildia, Tailândia
- Parcoblatta sp., Carolina do Sul


Espécies Cavernículas

Exemplos de gêneros e espécies cavernículas:
- Paratemnopteryx, apresenta redução na asa;
- Nelipophygus, México;
- Nocticola australiensis, Austrália
- Neotrogloblattella chapmani


Espécies de Deserto

As espécies de baratas encontradas nos desertos e descritas na literatura científica são do gênero Arenivaga, Euthlastoblatta e Heterogamisca.

O gênero Arenivaga pertence a subfamília Polyphaginae e à família Polyphagidae. São conhecidas como baratas areia. Esse gênero não procura abrigo próximo ao homem, por isso não é considerado sinantrópico.

Exemplos de espécies de deserto do gênero Arenivaga:
1. Arenivaga floridensi;
2. Arenivaga erratica: encontradas em tocas de animais;


3. Arenivaga apacha: constrói galerias subterrâneas próxima a tocas dos ratos canguru com calda (Dipodomys spectabilis) que habitam o interior do solo do deserto, Sudoeste do Arizona, EUA;

4. Arenivaga investigata: resistente a altas temperaturas, perda de água entre 25–30% e condições desfavoráveis de Oxigênio;

O gênero Euthlastoblatta pertence a família Blattideae.

Exemplos de espécies de deserto do gênero Euthlastoblatta:
1. Euthlastoblatta abortiva
Origem: Rio Grande, Texas.
Habitat: ninhos de “Ratos Madeira”.

Exemplos de espécies de deserto do gênero Heterogamica:
1. Heterogamisca syriaca: espécie egípcia que também está habituada a vida no deserto;
2. H. chopardi;
3. H. syriaca.

Espécies Aquáticas

Existem algumas espécies de baratas que podem nadar ou flutuar por alguns minutos sobre a água. Essas espécies apresentam como habitat a proximidade de rios, lagos ou interior de bromélias nas Florestas Tropicais.

Exemplos de espécies aquáticas:
1. Poeciloderrhis cribrosa, ocorre no Rio de Janeiro;
2. Rhabdoblatta stipata, ocorre na Libéria;
3. Numerosas espécies em pelo menos seis gêneros da subfamília Epilamprinae.

Entretanto, o termo barata d’agua é uma designação comum a todas as espécies de insetos aquáticos, principalmente da ordem Hemiptera da família Belostomatidae. Apesar do seu nome vulgar, não são baratas, no sentido literal, pois não são da ordem Blattodea. Na verdade são grandes "barbeiros" aquáticos, sendo também conhecidos pelos nomes de arauembóia, bota-mesa, pica-dedo e escorpião-d'água.

Como esses insetos vivem em lagos e córregos calmos freqüentados por pessoas, elas podem se prender no homem com suas pernas anteriores quando se sentem ameaçadas. As “picadas” costumam ser dolorosas, porém sem conseqüências graves. Por causa disso, recebem apelidos como escorpião d'água, pica-dedo ou, em inglês, “toe biters” (mordedores de dedões).

Com porte variando entre médio a grande, esses insetos têm até 10,5 cm de comprimento. Quase todos os representantes têm coloração castanho-clara ou escura e asas acidentadas para camuflagem. Possuem um par de apêndices curtos, achatados e retráteis localizadas na extremidade do abdome. Antenas de quatro segmentos, sendo que o segundo e o terceiro são dilatados ou prolongados no lado interno. Têm rostro curto e robusto (neste caso, rostro trata-se de uma projeção saliente na região anterior do inseto). A barata possui pernas raptoriais anteriores e posteriores natatórias. As pernas anteriores raptorais são adaptadas a agarrar suas presas e as posteriores achatadas, próprias para natação, embora não sejam boas nadadoras.

As baratas d'água costumam a sair do seu habitat à noite para se reproduzir. Para atrair as fêmeas, os machos fazem uma série de movimentos periódicos perto da superfície da água, o que gera ondulações. Acredita-se que por serem animais que evoluíram orientando-se pelas estrelas, costumam ser atraídas por luzes brilhantes, o que faz com que se desorientem, voem em espiral e depois morram de exaustão. Por isso, é comum aparecerem baratas d'água mortas embaixo de postes de luz, por exemplo.

A cópula ocorre durante a primavera e os ovos são postos em plantas aquáticas ou em matéria vegetal em decomposição. Em algumas espécies, como dos gêneros Abedus e Belostoma, as fêmeas depositam os ovos sobre as costas dos machos, junto com um líquido com alto poder adesivo, obrigando-os a carregar os ovos até a eclosão. Estudos apontam que isso ocorre porque o macho costuma ingerir os ovos. Quando percebem que serão mobilizados por uma fêmea, procura desvencilhar deste “amplexo”, talvez por gerar incômodo devido ao peso que terão de suportar durante um longo período de tempo. Logo, com os ovos em suas costas, o acesso torna-se praticamente impossível ao macho.

As baratas d'água são carnívoras e boas predadoras. Agarram as suas presas com as patas dianteiras e injetam uma poderosa saliva digestiva que dissolve o interior das vítimas. Costumam se alimentar de caramujos, lesmas, larvas de insetos, girinos, salamandras, pequenos peixes, entre outros animais. Em alguns países da Ásia como a Tailândia e Vietnã, as baratas d'água e outros insetos aquáticos gigantes são considerados como iguarias gastronômicas.

As baratas d’água têm uma peculiaridade de cuidado parental, isto é, cuidado com a prole. Pode ser feito tanto pelo macho como pela fêmea, o que assegura o sucesso no desenvolvimento físico da prole. Esse comportamento consiste na atividade dos machos manterem os ovos úmidos, ovipostos pelas fêmeas em substratos emersos. O macho enche sua probóscide de água e leva até o local da postura, distribuindo entre os ovos. A probóscide é um apêndice oco, localizado na cabeça do inseto, mais especificamente um prolongamento das peças bucais da barata. O macho também defende a prole contra predadores, permanecendo durante alguns períodos do dia sobre o local de oviposição dos ovos.

Estudos sugerem que entre as principais famílias de Hemiptera com grande potencial para controle de mosquitos (Ordem Diptera, Subordem Nematocera) é a família Belostomatidae. Os belostomatídeos são considerados, de acordo com estudos científicos de Cuba e do Brasil, os melhores avaliados para esta finalidade.

As espécies Diplonychus indicus e Ranata elongata foram consideradas como alternativas ao controle químico no combate, por exemplo, ao Aedes sp, transmissor do vírus da dengue e da febre amarela. Essas espécies possuem grande potencial no consumo de larvas de mosquitos. Apresentam voracidade na predação e seletividade de presas. Em específico, a espécie Belostoma flumineum é considerada boa predadora de larvas, embora a frequência com a qual ocorra co-habitando criadouros com as larvas de mosquito seja bem baixa.

Comportamento Social (saiba mais)

 
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