| BARATAS
As baratas são
insetos da Ordem Blattodea (antigamente chamada Blattariae) e estão
presentes em todas as regiões do globo. Pesquisas paleontológicas
indicam que esses insetos se originaram há aproximadamente
380 milhões de anos. Atualmente, são conhecidas aproximadamente
4000 espécies de baratas, das quais 1200
estão na região neotropical (Sul dos EUA, México,
América Central e América do Sul), e 644 espécies
foram registradas no Brasil. A grande maioria das baratas
vive em florestas, sob troncos de árvores mortas, decompondo
matéria orgânica (hábito xilófago), e
sendo, portanto, importantes decompositores que reciclam nutrientes
e viabilizam os ecossistemas terrestres. Devido às atividades
comerciais humanas, algumas espécies se espalharam pelo mundo
todo, como: Blatta orientalis (“barata oriental”)
(Figuras 1 e 2), Blatella germanica (“baratinha”)
(Figuras 3 e 4) e Periplaneta americana (“barata
americana”, “barata de esgoto”, “barata
voadora” ). Algumas espécies tropicais foram levadas
para a América do Norte em embarcações que
transportavam banana e outras frutas tropicais.
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| Figura
1. Blatta orientalis
(Disponível em: http://www.malaeng.com/blog/tmp/2010/10/blatta-orientalis-missouri.jpg) |
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| Figura
2. Blatta orientalis
(Disponível em: http://animaldiversity.ummz.umich.edu/site/resources/phil_myers/classic/male4.jpg/view.html) |
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| Figura
3. Blatella germanica
(Disponível em: http://www.malaeng.com/blog/tmp/2010/10/blattella-germanica4.jpg) |
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| Figura
4. Blatella germanica
(Disponível em: http://www.malaeng.com/blog/tmp/2011/04/blattella-germanica-biopixc.jpg) |
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| Figura
5. Periplaneta americana
(Disponível em: http://www.entomologicalillustration.com/portfolio46AmericanCockroach.html) |
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De
4000 espécies de baratas (644 registradas
no Brasil), cerca de 30, isto é, menos de 1%, se adaptaram
ao ambiente urbano, (são sinantrópicas). Apenas 0,1%
do total dessas espécies sinatrópicas, isto é,
4 espécies, são potenciais vetores mecânicos
de patógenos, como bactérias, fungos e ovos de diferentes
parasitos (helmintos). A condição de potenciais vetores
de doenças, como disenterias e gastrenterites decorre do
fato dessas espécies domésticas transitarem de esgotos
ao domicílio do homem, incluindo o alimento deste. Além
disso, as baratas domésticas podem causar reação
alérgica a algumas pessoas.
A
maioria das espécies possui hábitos solitários,
ou seja, não se organizam em sociedades. As menores espécies
de barata pertencem ao gênero Nocticola e
medem cerca de 3 mm de comprimento. As maiores espécies atingem
até 100 mm de comprimento, como a Megaloblatta regina,
do Brasil. Em geral são onívoras, comendo alimentos
de origem vegetal ou animal.
Desenvolvimento
As
baratas são animais de desenvolvimento paurometabólico.
Isso significa que a fêmea adulta põe ovos, dos quais
eclodem ninfas muito semelhantes ao indivíduo adulto no habitat
e nos hábitos. Os ovos são normalmente colocados dentro
de uma estrutura chamada ooteca, que a fêmea carrega junto
ao corpo. O número de ovos por ooteca varia (em Periplaneta
americana: aproximadamente 16), bem como o número de
ootecas colocadas pela fêmea.
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| Figura
2. Ciclo de vida da barata
(Imagem disponível em: http://www.cockroach-pictures.com/cockroach_life_cycle.htm) |
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Inimigos naturais
Muitos himenópteros
(vespas, abelhas e formigas) parasitam ovos de baratas.
Alguns insetos, sapos, répteis, aves e alguns mamíferos
podem ser predadores de baratas.
Morfologia externa
Como todo inseto, as
baratas possuem corpo dividido em cabeça,
tórax e abdome, 3 pares de pernas (saindo do tórax)
e 1 par de antenas. As baratas apresentam corpo
geralmente ovalado e achatado dorsoventralmente, o que permite que
esses animais se escondam em pequenas frestas. Possuem aparelho
bucal mastigador, com mandíbulas fortes e denteadas, dirigido
para baixo e para trás. Por isso, a cabeça é
chamada opistognata, como se o animal estivesse permanentemente
olhando para baixo.
As baratas possuem
a parte dorsal anterior do tórax (pronoto) expandida e em
geral recobrindo a cabeça; as antenas são longas e
filiformes; as pernas cursoriais (adaptadas para caminhar), com
coxas (primeiro artículo da perna) grandes, longas e muito
próximas entre si. As asas anteriores têm textura pergaminosa
(mais ou menos coriácea) e se sobrepõem, e as posteriores
são membranosas e responsáveis pelo vôo. Algumas
espécies são ápteras (sem asas) ou braquípteras
(com asas curtas). Em algumas espécies as asas estão
presentes no macho e a fêmea é áptera ou braquíptera.
As baratas
apresentam estruturas no fim do abdome, chamadas cercos, de função
sensorial tátil. Essas estruturas são muito sensíveis
às vibrações, o que as faz perceber a presença
de inimigos naturais (incluindo o homem), permitindo a fuga.
Assim como qualquer outro
artrópode (insetos, crustáceos, aracnídeos
e miriápodes), as baratas possuem o corpo
protegido por uma cutícula formada de quitina e proteína,
que nos insetos, é revestida por uma camada de cera, o que
forma uma barreira contra a perda de água. Para entender
aspectos da biologia de baratas, é preciso
entender a fisiologia dos insetos e suas adaptações
para a excreção, respiração e digestão,
dentre outras.
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| Figura
6. Indicação das principais estruturas anatômicas
da barata
(Imagem de domínio público. Referência
original não encontrada.) |
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Respiração
Nos insetos, a respiração
se dá através de um sistema chamado “sistema
traqueal”. Esse sistema é muito eficiente, pois a perda
de água através da respiração é
baixíssima. O ar entra no corpo do inseto através
de aberturas laterais no tórax e abdome. Essas entradas são
os estigmas, providos de mecanismos de oclusão e prevenção
de entrada de água. A partir dos estigmas uma rede de túbulos
internos, as traquéias, se ramifica em túbulos cada
vez mais finos, as traquéolas, que levam o oxigênio
diretamente até os órgãos e tecidos do animal,
onde ocorre a troca gasosa. O sistema traqueal possui reservatórios
de oxigênio denominados de sacos aéreos. Como o oxigênio
chega diretamente nas células do animal, sem precisar ser
transportado por um sistema circulatório, o sistema é
muito eficiente, possibilitando aos insetos velocidade e movimentos
musculares rápidos e complexos.
Sistema nervoso
O sistema nervoso central
dos insetos é composto por um pequeno “cérebro”
(gânglio supraesofágico) na região da cabeça
conectado por um anel nervoso a um gânglio subesofágico,
do qual parte a corda nervosa ventral. O cérebro é
dividido em 3 partes, cada uma inervando um órgão
do sentido ou estrutura da cabeça. Possuem também
um sistema nervoso visceral, que inerva o trato digestivo, órgãos
endócrinos, órgãos reprodutivos e o sistema
traqueal (respiração). Possuem ainda, um sistema nervoso
periférico (cerdas sensoriais) ligado a um sistema motor.
Esse padrão de sistema nervoso é comum aos animais
protostômios.
Sistema circulatório
O sistema circulatório
dos insetos é aberto, e é caracterizado pela existência
de lacunas (ou seios) que permitem que a hemolinfa circule dentro
e fora dos vasos sanguíneos. A circulação é
mantida principalmente por um sistema de vasos musculares (“corações”)
que distribuem a hemolinfa entre compartimentos do corpo separados
por tecidos fibro-musculares.
A hemolinfa é
um fluido aquoso que contem íons, moléculas e células,
e é freqüentemente incolor. Todas as trocas químicas
entre os tecidos dos insetos, como transporte de hormônios
e distribuição de nutrientes, são mediadas
pela hemolinfa, que também atua como reserva de água
do inseto, e também através das células (hemócitos).
Os hemócitos são responsáveis pela defesa e
imunidade do inseto, bem como participa dos processos de coagulação.
A hemolinfa, na maioria dos insetos, não tem pigmentos respiratórios,
sendo que as trocas gasosas são função do sistema
traqueal.
Sistema excretor
Os insetos terrestres excretam
compostos nitrogenados principalmente na forma de ácido úrico.
O sistema excretor é formado por estruturas tubulares muito
finas denominadas “túbulos de Malpighi”, ligadas
diretamente no intestino posterior.
Os túbulos de Malpighi
atuam na reabsorção de água, sais e pontes
nitrogenadas e regulam, portanto, o equilíbrio hídrico
e iônico da hemolinfa. As baratas também
podem estocar acido úrico em seu tecido adiposo.
Sistema digestivo
O sistema digestivo dos insetos
é especializado e formado por 3 regiões principais.
A região anterior (estomodeu) é relacionada com a
ingestão, armazenamento, e trituração dos alimentos.
Ela se separa da região mediana por uma válvula que
previne refluxos. Na região mediana, o mesentero, são
produzidas enzimas digestivas e ocorre a absorção
final dos alimentos. A terceira porção, o proctodeu,
também separado do mesentero por uma válvula, é
responsável pela reabsorção final de água
e nutrientes, e pela evacuação. A urina produzida
nos túbulos de Malpighi chega ao proctodeu, onde é
eliminada pelo ânus juntamente com as fezes.
Sistema endócrino e
hormônios
Hormônios são
substâncias químicas produzidas por um organismo e
transportadas, em geral, pelos líquidos corporais até
o local onde influenciam em uma série de processos fisiológicos.
No caso dos insetos, os hormônios são transportados
pela hemolinfa e têm funções importantes, principalmente
no crescimento e na reprodução. Os principais grupos
de hormônios dos insetos são:
a) Ecdisteróides: são
hormônios envolvidos nos processos de muda. A muda (ou ecdise)
é o processo que possibilita o crescimento dos insetos nos
estágios juvenis, através da troca de exoesqueleto
de tempos em tempos;
b) Hormônios juvenis:
regulam o desenvolvimento reprodutivo;
c) Neurormônios:
são os reguladores principais de vários aspectos do
desenvolvimento, homeostase (regulação do equilíbrio
interno do organismo), metabolismo e reprodução dos
insetos. |